Deus criou o Céu e a Terra.
Depois criou o homem, à sua imagem e semelhança.
Depois descansou.
Porém, antes criou o time de Jardim Leonor.
Ou pelo menos é essa a história que os dirigentes do São Paulo vendem para a mídia há muitos anos.
Melhor estádio, estrutura de primeiro mundo, CT mais moderno, departamento médico insuperável.
O elenco, como não poderia deixar de ser, é sempre superior aos rivais. O time ganha tudo.
Os dirigentes, pessoas da mais alta competência, todos de trajetória ilibada.
Tem até um pequeno notável, que virou vereador.
Tudo ia muito bem, até que contraíram a síndrome do Professor Pardal e resolveram expandir suas invenções.
Primeiro, inventaram que poderiam catequizar qualquer “jogador problema”, resolvendo qualquer desvio de personalidade só pela oportunidade de vestir a camisa “tricolina”. Pelo visto, não colou. Adriano, o Imperador, que o diga. Até Carlos Alberto tentaram amansar, sem sucesso.
Num segundo momento, resolveram inventar que não precisavam dos outros grandes para sustentar o Morumbi. O Corinthians comprou a briga e não jogou mais lá, mandando os jogos no Pacaembu, desde então. Mais uma dor de cabeça pro Juvenal, que precisa de mais shows da Madonna para pagar suas despesas.
Depois, inventaram um craque, o tal de Hernanes. Hoje reserva, é sempre bom lembrar. Venderam o garoto para a mídia, que acatou sem contestação. Só esqueceram que uma invenção, para dar lucro, precisa ser negociada. Parece que não conseguiram nada, além de marketing e boatos. Uma infinidade de times corria atrás do novo camisa dez, pelo menos na cabeça e sonhos dos cartolas.
Em mais um arroubo de ideias geniais, inventaram o Morumbi como palco da Copa do Mundo em São Paulo, como se o estádio fosse uma das sete maravilhas da humanidade. Parece que a FIFA também não comprou a invenção.
Até o velho conceito de ética, inventado pela diretoria em relação aos técnicos, foi por água abaixo, depois que vazaram notícias de negociação com outros técnicos, enquanto o anterior ainda ocupava o cargo.
Por último, acharam que podiam tudo. Se inventaram um craque, não poderiam inventar um técnico? E assim se fez. Trouxeram um técnico que não conhece o futebol brasileiro, não dirige o time na beira do campo e assiste de forma passiva as derrotas.
Essa invenção, agradou a pelo menos uma pessoa, em especial. Um sujeito ranzinza e mau humorado, em frente ao televisor, que se permitiu abrir um largo sorriso, quando assistia a partida do Mineirão: Muricy Ramalho.