Corinthians Fenomenal

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Jardim Leonor e a síndrome do Professor Pardal

17/07/2009 · 6 Comentários

PardalDeus criou o Céu e a Terra.

Depois criou o homem, à sua imagem e semelhança.

 Depois descansou.

 Porém, antes criou o time de Jardim Leonor.

 Ou pelo menos é essa a história que os dirigentes do São Paulo vendem para  a mídia há muitos anos.

 Melhor estádio, estrutura de primeiro mundo, CT mais moderno, departamento médico insuperável.

 O elenco, como não poderia deixar de ser, é sempre superior aos rivais. O time ganha tudo.

Os dirigentes, pessoas da mais alta competência, todos de trajetória ilibada.

Tem até um pequeno notável, que virou vereador.

Tudo ia muito bem, até que contraíram a síndrome do Professor Pardal e resolveram expandir suas invenções.

Primeiro, inventaram que poderiam catequizar qualquer “jogador problema”, resolvendo qualquer desvio de personalidade só pela oportunidade de vestir a camisa “tricolina”. Pelo visto, não colou. Adriano, o Imperador, que o diga. Até Carlos Alberto tentaram amansar, sem sucesso.

Num segundo momento, resolveram inventar que não precisavam dos outros grandes para sustentar o Morumbi. O Corinthians comprou a briga e não jogou mais lá, mandando os jogos no Pacaembu, desde então. Mais uma dor de cabeça pro Juvenal, que precisa de mais shows da Madonna para pagar suas despesas.

Depois, inventaram um craque, o tal de Hernanes. Hoje reserva, é sempre bom lembrar. Venderam o garoto para a mídia, que acatou sem contestação. Só esqueceram que uma invenção, para dar lucro, precisa ser negociada. Parece que não conseguiram nada, além de marketing e boatos. Uma infinidade de times corria atrás do novo camisa dez, pelo menos na cabeça e sonhos dos cartolas.

Em mais um arroubo de ideias geniais, inventaram o Morumbi como palco da Copa do Mundo em São Paulo, como se o estádio fosse uma das sete maravilhas da humanidade. Parece que a FIFA também não comprou a invenção.

Até o velho conceito de ética, inventado pela diretoria em relação aos técnicos, foi por água abaixo, depois que vazaram notícias de negociação com outros técnicos, enquanto o anterior ainda ocupava o cargo.

Por último, acharam que podiam tudo. Se inventaram um craque, não poderiam inventar um técnico? E assim se fez. Trouxeram um técnico que não conhece o futebol brasileiro, não dirige o time na beira do campo e assiste de forma passiva as derrotas.

Essa invenção, agradou a pelo menos uma pessoa, em especial. Um sujeito ranzinza e mau humorado, em frente ao televisor, que se permitiu abrir um largo sorriso, quando assistia a partida do Mineirão: Muricy Ramalho.

Categorias: Crônica

Ser Corinthians…

02/07/2009 · 1 Comentário

Ser Corinthians não é questão de escolha. Não é uma opção que se faz, como quem escolhe um modelo de camisa ou a cor do carro que irá comprar. Já se nasce alvinegro, é algo que faz parte do nosso espírito. Faz parte de uma mística que só quem é Corinthiano pode compreender.

 Ser Corinthians é saber valorizar as vitórias e aprender a se levantar após os reveses. É, mais do que tudo, sempre acreditar. Não desistir jamais, por pior que seja a perspectiva de momento. É fazer parte de uma nação,  de um povo que pára todos os domingos e torce pelo mesmo objetivo. É esquecer as mazelas da vida, a corrupção, a pobreza, a fome, o desemprego, para se focar numa só meta: a vitória.

 Ser Corinthians é ter participado da construção de um passado de glórias, sempre almejando um futuro ainda melhor. É estar ao lado do time, no campo, através da televisão ou de um simples radinho de pilha. É gritar, xingar, sorrir e chorar, seja de alegria ou tristeza.

 Ser Corinthians é sempre estar disposto a defender o time nas acaloradas discussões sobre futebol, no escritório, na padaria ou no botequim. É lembrar das conquistas e dos heróis que as alcançaram com muito suor e vontade. É ter guardado na memória a maestria e inteligência do doutor Sócrates, o oportunismo do Casagrande, a habilidade do Rivellino, a raça do Biro-Biro, os petardos do Neto, as obras-primas do Marcelinho, as embaixadinhas do Edílson, a irreverência do Vampeta, os milagres do Dida, entre tantos outros momentos mágicos.

 Ser Corinthians é rir dos nossos próprios defeitos. É tentar esquecer do Jatobá, Dicão, Gralak, Alcino e companhia limitada. É lembrar que até mesmo com eles, fomos campeões em diversas oportunidades. E eles certamente tiveram a honra de vestir uma das camisas mais importantes do futebol mundial.

 Ser Corinthians é se orgulhar da folclórica  invasão de 76 ao Maracanã. É ter vibrado com o gol do Basílio, decretando o fim de um jejum de 23 anos. É ter comemorado o primeiro título brasileiro em cima dos anfitriões, em pleno Morumbi. É ter conquistado o primeiro mundial da FIFA, apesar da inveja dos adversários. É ter assistido os nossos cronistas esportivos (na sua maioria bairristas e nacionalistas) serem obrigados a reconhecer e dar o título de maior jogador do ano a um argentino, Carlitos Tevez.    

 Ser Corinthians, enfim,  é ter a satisfação de poder dizer que se tem algo em comum com Washington Olivetto ou Antônio Ermírio de Moraes. É ter a certeza  de que o Corinthians é muito mais do que um bando formado por Dualibs, Nesis, Duprats, Kias e Boris. Porque a má fase e os dirigentes corruptos passam, mas o Corinthians, a exemplo do rei Pelé, é eterno.

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